domingo, 18 de agosto de 2013

Por do sol - parte II


Ela olhou novamente para a criança, hesitante em deixá-la sozinha, mas a praticidade venceu. O portal que a trouxe até este mundo estava fechado, assim não podia voltar. Ainda não. E que não estivesse enlouquecida com isso mostrava o quanto estava danificada.

Por que... Não importa o quanto surreal fosse a situação, no momento em que atravessara o espelho sua alma sussurrara Lar. E a cada segundo que passava crescia nela a sensação de que este mundo, que vira em seus pesadelos desde sua infância, era mais real do que tudo o que havia vivido. O que significava que não tinha muito tempo.

Correndo rapidamente até a vila ela evitou ao máximo olhar para o sangue e a morte, sabiamente adotando o “longe dos olhos, longe do coração” e invadiu sem pudor as casas destruídas. Em uma conseguiu uma mochila num material semelhante à lona e cobertores, em outra uma refeição havia queimado em um rústico fogão, mas havia pão e frutas sobre a mesa. Ela entrou em casa após casa, roubando sem pudor o que precisava, ignorando sua consciência que apontava o erro disso.  Afinal, uma garota tinha que viver, certo? Sofia Coppola aprovaria totalmente essa filosofia. Não era como se estivesse assaltando o closet da Paris Hilton. Espera! Apague isso. Sofia aprovaria totalmente que assaltasse o closet da Paris, e havia Bling Ring para provar essa afirmação.

Quando por fim voltou pela menina, uma olhada no céu lhe disse que possuía pouco mais de uma hora. Prendendo a mochila nas costas, elevou o corpo da criança nos braços e caminhou em direção aos bosques adiante.

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