quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O Servo



Dias atuais.

Vale de Apsu.

A morte chegou nas asas do Servo. Por toda parte os uivos de dor, o estalar de ossos quebrados, casas destruídas e os úmidos sons da morte.

-Vó! – a voz da pequena Alina rasgou o ar com desespero infantil, sendo prontamente abafada pela mão da velha.

- Quieta criança. – Mãos calejadas envolveram o corpo fragil enquanto a mulher arrastava a menina pra longe. Um esforço vão. O caçador era implacável em sua perseguição. Onde quer que o Servo chegasse não restava senão chamas, destruição e cadáveres.

Muito perto para sua paz, um grito excruciante  rasgou a noite. A velha correu mais rápido, tropeçou, de algum modo conseguiu proteger o corpo trêmulo da criança durante a queda.

A menina não gritou, apavorada demais para emitir qualquer som. Seus olhos azuis encontraram os da avó em desespero, então congelaram em horror absoluto fixos em um ponto atrás dela. Os ombros da velha caíram em desânimo. Quis suplicar pela vida da neta, mas sabia que seria inútil. O Servo estava além da compaixão.

Garras se fecharam em volta do seu pescoço e a arrancaram violentamente dos braços da criança. Seu pescoço foi quebrado tão facilmente quanto um graveto; seu corpo descartado aos pés do monstro com desinteresse. O Servo avançou para a criança, então parou como se detido por uma mão invisível. Um instante depois o Mestre estava a seu lado. O menor traço de surpresa o atravessou. Ele jamais demontrara interesse por um mortal antes.

O corpo da menina tremia violentamente, mas seus olhos estavam vazios quando o Antigo aproximou-se dela. Sua mente fragmentada, perdida, completamente destruída pelo horror daquela noite. Ele a olhou impassível durante um longo tempo, como se procurasse algo, então poder fluiu dele para ela, apagando suas memórias, suavizando o trauma. A menina enrijeceu violentamente, então deslizou para o esquecimento.