quinta-feira, 28 de junho de 2012


É suposto que meu coração pararia de bater. Ainda assim ele bate.
Eu me pergunto se é o Amor ou o Ódio que o impulsiona.
Eu rezo para que seja o ódio...

Alice Castelli, A Possuída


Só o esquecimento é que condensa,
E então minha alma servirá de abrigo.


Pra recuperá-la eu cobri-me com o sangue de meus pecados.
No fim, meu único ato de misericórdia a trouxe para mim...

Raziel. O Monstro Que Monstros Temem

E Se o Tempo Não Existisse...



São tantas as imagens perdidas
Tantos os sonhos esquecidos
As inspirações abandonadas
Há quem acredite que o tempo não existe
Que corre em todas as direções
- passado, presente, futuro –
Ao mesmo tempo.
E às vezes podemos encontrar no futuro
Um caminho que ficou preso no passado.

AS INDAGAÇÕES



A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas.

sábado, 23 de junho de 2012

A Mãe



 
Ela foi levada...

A frase passava e repassava pela mente de Adriana enquanto ela caminhava de um lado para o outro do quarto.

Ele veio e a levou...

Adriana Castelli apertou as mãos geladas enquanto a culpa a consumia. Sua filha desaparecida, levada... Sozinha. Ela deixou-se cair sobre a cama aliviada que o marido havia se ausentado um pouco. Mas voltaria logo. Estava louco de preocupação por ela.

Adriana tivera que ser muito firme pra evitar que Carlos a internasse imediatamente por causa do desmaio. Um ridículo e simples desmaio... Mas ele nunca se descuidava da saúde dela. Não podia sequer espirrar sem que uma equipe de médicos se materializasse subitamente à sua volta. Ela lutara contra esse exagero durante anos, mas nunca vencera a batalha. Nunca vencera nenhuma de suas batalhas contra a devoção dele por ela.

Por anos esperou que o amor dele desaparecesse; enfraquecesse como o de muitos casais. Que o fogo de sua paixão se extinguisse. Mas nunca ocorreu. Se algo mudou, então seu amor apenas tornou-se mais intenso. Sua paixão mais vívida.

E uma parte dela o odiava por isso. Por amar uma mulher que abandonou a própria filha. O odiava por ter compactuado com isso. Ela queria que ele tivesse escolhido Alice quando ela não teve forças pra fazê-lo.

Ela foi levada...

Mas Carlos não o faria. Sua felicidade era tudo pra ele.

Adriana deixou o olhar vagar pelo quarto numa apreciação crítica. Era elegante, luxuoso, mas nem de perto tão magnífico quanto os outros que possuía. Ela adorava viajar, então Carlos comprou várias casas ao redor do mundo. Uma propriedade na Toscana, Uma mansão em Aruba, um ensolarado rancho na Califórnia. Apartamentos em Paris, Budapeste, Londres. Uma fazenda na Austrália...

Alice nunca esteve em nenhum desses lugares. Carlos foi muito eficiente em mantê-la afastada de suas vidas e Adriana o odiava por isso tanto quanto odiava a si mesma. Odiava-se porque era feliz. Era imensamente feliz longe de sua filha.

Ele veio e a levou...

Atravessou o espelho...

Durante alguns anos ela moveu uma campanha silenciosa pra terminar seu casamento. Paquerou outros homens; empurrou mulheres pra cima do marido, foi fria... Ou pelo menos tentou. Seu corpo nunca pode resistir ao toque do marido e ela ainda o amava. Pertencia a ele de corpo e alma.

E Carlos sempre pareceu capaz de prevê suas intenções, seus movimentos, e desarmava cada um deles. Os homens que demonstravam interesse por ela desapareciam misteriosamente ou passavam a evitá-la como a peste. Ela nunca o surpreendeu com outra mulher e todas suas tentativas de manter-se afastada dele foram combatidas inflexivelmente. Quanto mais fria ela tentava ser, mais agressivo e apaixonado ele se tornava. Nunca lhe deu nenhuma chance de escapar. Depois, que argumento poderia apresentar a um juiz quando pedisse o divórcio? Quero me separar porque meu marido me adora e me faz extremamente feliz? 

Atravessou o espelho...

Adriana escondeu o rosto entre os travesseiros e gemeu de frustração.

Ele veio e a levou...

Sentou-se bruscamente quando uma certeza horrível a alcançou: Alice atravessou o espelho sozinha e quando Aquilo se inteirasse que não podia encontrá-la, viria por ela. E todos os que atravessassem seu caminho estariam mortos.

DAS UTOPIAS



Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

E Nietzsche tinha razão...



“Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia”

Nietzsche

Do blog Iluminura, Um Manuscrito Iluminado



°٠Não importa se há ou não luz no fim do túnel, assim que entro acendo a minha°


Meu novo mantra... Ok. Esse será o primeiro.

sexta-feira, 8 de junho de 2012




"Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
pois consigo tal alma está ligada.

Mas esta linda e pura semidéia,
que, como um acidente em seu sujeito,
assim como a alma minha se conforma,

está no pensamento como idéia:
[e] o vivo e puro amor de que sou feito,
como a matéria simples busca a forma."

Luis de Camões 


.

O Interrogatório


- Sua filha desapareceu há seis dias – disse brutalmente. – Não há pedido de resgate e nenhuma pista do que possa ter acontecido a ela. As câmeras de segurança registram a presença dela na casa durante o dia todo. E entre as dezoito horas e seis da manhã seguinte ninguém saiu ou entrou. Não há qualquer indício de como ela pode ter desaparecido.
Observou friamente o casal, mas ambos mantinham uma calma expressão de paciência. Nenhum conflito. Nenhuma ansiedade. Era como se discutissem sobre o tempo. Eles não estavam preocupados. Nem um pouco. E isso o deixava realmente puto.
Bruscamente Carlos Castelli alinhou o corpo e inclinou-se para ele decidido.
- Como disse delegado, não há evidências que ela tenha sido sequestrada. Onde quer que Alice esteja, está por conta própria.
A mandíbula de Pedro caiu com o espanto; então fechou bruscamente de indignação.
- Onde quer que sua filha esteja obviamente está por conta própria. Não é como se pudesse contar com o amor ou a preocupação dos pais...
Adriana Castelli enrijeceu como se tivesse levado uma bofetada. Ao seu lado o marido realmente grunhiu e retornou o braço aos ombros dela num gesto protetor.
Estamos conseguindo alguma reação? Bom.
- Não faça suposições sobre minha família, delegado. Não estamos preocupados com Alice porque estamos convictos de que está bem. Asseguro-lhe que ela sabe se cuidar.
- Não faço suposições. Investigo. E não duvido que ela saiba se cuidar já que praticamente cresceu sozinha, abandonada aos cuidados de empregados. Empregados que mudavam constantemente.
- Não sabe do que está falando – exclamou a senhora Castelli, empalidecendo.
- Sei perfeitamente do que falo. Durante os últimos oito anos, estiveram constantemente fora do país. Na verdade só estiveram no Brasil apenas duas semanas por ano. A menina nunca viajou com vocês.
Carlos Castelli se levantou bruscamente.
- Saia de minha casa, delegado – exigiu em tom cortante. Depois, num tom mais gentil ordenou a esposa: - Vá para o quarto descansar, querida. Eu acompanho o delegado até a porta.
- Na verdade – explodiu Pedro -, me acompanhará até a delegacia. Sua adorável esposa também. Abandono e negligência infantil são crimes graves no Brasil. Aparentemente todos por aqui parecem acreditar que sua filha estava possuída pelo demônio... O que aconteceu? Um exorcismo que deu errado?
Adriana Castelli estava tão pálida que parecia a ponto de desmaiar. Isso não o preocupou o mínimo. Se havia algo que odiava era presenciar o abuso de pais contra os filhos. Filhos que deveriam ser protegidos como um tesouro. Deus sabia que, em sua profissão, Pedro já havia investigados crimes suficientes para ter pesadelos pelo resto da vida. Implacavelmente continuou:
- Ou talvez ela tivesse alguma necessidade especial? Um defeito físico que acreditou que envergonharia a família... Por isso a abandonaram? A isolaram? Ela não frequentou a escola; tinha aulas em casa.
- Basta! – Carlos berrou, tão pálido quanto a esposa. – Saia agora ou me assegurarei que nunca mais arranjará emprego nesta cidade ou em qualquer outra!
Sua expressão era implacável. Arrogante. Ele poderia realmente fazer isso, Pedro percebeu. Era rico o suficiente pra comprar qualquer coisa. Só que ele não era o tipo que podia ser comprado. A ameaça, em vez de assustá-lo, o estimulou.
- Acaba de me ocorrer que sua filha desapareceu no dia em que completou dezoito anos. O dia em que se tornou legalmente maior de idade, independente. Não poderia mais mantê-la presa... Assim sumiu com ela, verdade?
O milionário avançou contra o delegado, claramente decidido a arrastá-lo para fora por conta própria. Mas a esposa agarrou-se a ele, sussurrou um “não” angustiado e toda agressão foi drenada de seu corpo. Pedro observou o homem olhar para a esposa com uma adoração tão clara que seu coração saltou uma batida. Ele nunca olhou para uma mulher assim, como se o sol nascesse só por ela. Isso não... encaixava. Como alguém podia ser capaz de amar tanto, e não sentir nenhum amor pela própria filha? A menos que fosse obsessão. Ele não iria querer dividi-la então...
Carlos abraçou a esposa e dirigiu ao delegado um olhar duro, perigoso.
- Saia – repetiu. – Meu advogado entrará em contato com você brevemente. Não voltará a chegar perto de minha esposa sem uma ordem judicial. Nunca.
Pedro sorriu e friamente e replicou no mesmo tom:
- Eu estou a frente desta investigação e o aconselho a colaborar. Ou talvez devêssemos tornar público os depoimentos de seus empregados. Acredito que a mídia apreciaria principalmente o depoimento de sua governanta...
- O que quer dizer? – Carlos perguntou. E pela primeira vez havia insegurança em seu olhar.
- Ela parece acreditar que sua filha foi arrastada, magicamente, através do espelho em seu quarto... Na verdade, recordo que suas palavras exatas foram “Aquela garota estava possuída pelo demônio. Ele veio e a levou...”.
O milionário intensificou o aperto em volta da esposa, ocultando o rosto dela em seu peito.
- Se realmente tornar público tais absurdos, delegado – observou com um sorriso sem nenhum humor -, só conseguirá ridicularizar a si mesmo. A mulher está claramente perturbada. Providenciarei para que seja atendida o mais rápido possível por um especialista.
- Acredito que o fará. Terá que tratar todos os outros empregados também. Aparentemente a loucura é contagiosa. Mas assegure-se que ela não desapareça misteriosamente, porque não terei nenhum problema em investigar outro desaparecimento.
Carlos Castelli apenas o olhou, impassível. Em seus braços, sua esposa começou a tremer.
Pedro saiu pisando duro e quando chegou à porta ouviu uma maldição abafada. Deu uma olhada de relance e franziu o cenho. Adriana Castelli havia acabado de desmaiar.
Curioso. Aparentemente havia batido na tecla certa.

  

segunda-feira, 4 de junho de 2012



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"Mas de onde vem o mal que tanto te abateu?

     Ele vem de um olhar que nunca será meu...
        Como está para o sol a luz morta da estrela
        a luz do próprio sol está para o olhar dela...
Parece o seu fulgor quando o fito direito,
        uma faca que alguém enterra no meu peito,
        veneno que se bebe em rútilos cristais
        e, sabendo que mata, eu quero beber mais..."

sábado, 2 de junho de 2012

Prólogo



Rio de Janeiro, 2005.

         Sua filha estava tendo pesadelos de novo. Carlos observou pela porta entreaberta como ela revolvia os lençóis, falando naquela língua assustadora que ele nunca pode identificar. E quanto mais ela se agitava, mais objetos levitavam e gravitavam em volta dela. Ela gritou e um tênis foi arremessado em sua direção, atingindo a porta com violência. Ele sabia que devia despertá-la, mas não podia se obrigar a entrar no quarto quando ela estava assim. O medo que lhe inspirava sobrepujava qualquer preocupação paternal que pudesse ter.
         Fechou a porta com cuidado e caminhou para a cozinha odiando o silêncio à sua volta. Os empregados haviam se demitido em massa. De novo. Ele já havia perdido a conta de quantas vezes isso havia acontecido. Provavelmente seu inconsciente o protegia da informação, tentava diminuir o tamanho da catástrofe.
         Com mãos trêmulas preparou um chá de camomila para a esposa. Ela estava trancada no quarto há horas, com aquele olhar perdido que o assustava. Afastando-se do mundo. Afastando-se dele. Isso era outra coisa que odiava. O pensamento de perdê-la. Ela era tudo pra ele desde a primeira vez que a viu, aos treze anos, dando um murro no Olavinho Duarte. O pequeno canalha havia feito chorar sua amiga, chamando-a de gorda, e Adriana quebrou o nariz dele. Apaixonara-se por ela fulminantemente e passara os seguintes dois anos lutando para conquistá-la. E quando finalmente a conquistou...  Bom, simplesmente não havia jeito de deixá-la escapar.
         Ele a consolou quando ela perdeu os pais num trágico acidente de carro e, dois anos depois, ela o apoiou quando seu pai morreu de câncer e sua mãe o seguiu, poucos meses depois, vitimada por uma tristeza incurável. Tão marcadas pela tragédia como foram suas vidas, ainda assim conseguiram ser felizes. Porque tinham um ao outro. Às vezes ele se perguntava se haviam sido punidos por serem tão imensamente felizes num mundo onde tão poucos alcançavam a felicidade. Como sua vida juntos era tão perfeita, haviam começado a desejar ardentemente um filho. O dia em que Adriana soube que estava grávida foi o mais feliz de sua vida. Também foi o último em que ela esteve verdadeiramente feliz. Logo em seguida começaram os pesadelos.
         Suas mãos não paravam de tremer. Ele pensou melhor. Tomou o chá que fizera para a esposa; preparou outro. Quando entrou no quarto ela estava na mesma posição em que a deixara, sentada ao lado da janela, o olhar vazio.
         - Trouxe seu chá, querida – ele disse, depositando um amoroso beijo em seu rosto.
         Ela não reagiu. Não pareceu sequer perceber sua presença.
         O coração de Carlos se contraiu de dor. Ele deixou o chá intocado sobre a cômoda e ajoelhou-se a sua frente tomando seu rosto entre as mãos, obrigando-a a encontrar seu olhar.
         - Vai ficar tudo bem, meu amor. Superaremos.
         Os enormes olhos azuis pousaram nele, já brilhantes de lágrimas.
         - Nada vai ficar bem – uma lágrima caiu, logo outra. – O que fizemos pra merecer isso?
         - Nada! – ele puxou-a de encontro ao peito, ocultando seu rosto em lágrimas. Não podia vê-la chorar. Não queria vê-la chorar nunca mais. - Ouça querida. Estive pensando... E se fizermos uma viagem?
         - Só nós dois – acrescentou depressa quando sentiu a tensão atravessando o corpo da esposa. – Podemos ir a Paris. Fomos felizes lá, lembra? Em nossa lua de mel.
         Ela ficou calada tanto tempo que Carlos receou que sua mente tivesse se afastado de novo. Mas então sua Adriana respondeu no menor dos sussurros:
         - Foram os dias mais felizes de minha vida.
         Ele se permitiu respirar, aliviado. Então havia uma chance de convencê-la.
         - Podemos partir o mais rápido possível. Uma segunda lua de mel.
         - Mas... – Adriana se afastou relutante do refúgio de seus braços para poder olhá-lo nos olhos, dividida entre a esperança e a aflição. – Não podemos deixá-la sozinha...
         - Claro que não! Contratarei os melhores profissionais para cuidar dela.
         O brilho nos olhos azuis apagou e ele quis gritar de frustração.
         - Eles fugirão – ela murmurou. – Como os outros.
         - Não! – Ela não desistiria. Ele não permitiria. – Os outros não faziam idéia com o que estavam lidando. Sempre fomos muito cuidadosos em ocultar isso. Foi um erro. Explicarei tudo dessa vez... Farei uma entrevista rigorosa.
         - Mas... – ela ainda não se permitia acreditar. – E se não conseguirmos encontrar ninguém adequado?
         Ele teria rido se não estivesse tão tenso.
         - Querida, ficaria surpresa com o sangue frio que um salário realmente alto pode comprar. Os outros foram pegos de surpresa... Só isso. Eu cuidarei disso o mais rápido possível. Encontrarei pessoas competentes para cuidar dela e, então, iremos.
         Ela mordeu de leve o lábio inferior e o gesto atraiu o olhar dele para sua boca.
         - Não gosto disso – ela se levantou e começou a andar de um lado para o outro, do modo como sempre fazia quando estava inquieta. – Não gosto da idéia de deixá-la sozinha com estranhos. E se fizerem mal a ela?
         Dessa vez Carlos riu. Não pôde evitar.
         - Adriana, acredita realmente que alguém poderia fazer mal a nossa filha?
         Ela parou de andar e se permitiu um riso nervoso.
         _ Sim, claro. Tem razão! – e então um brilho de pânico atravessou seu rosto. – E se... E se ela machucar eles?
         Ele eliminou a distância entre eles e a abraçou com força, recusando-se a permitir que ela se afastasse novamente.
         - Amor, nossa filha não vai atacar ninguém. Ela apenas... Tem um temperamento forte quando se sente ameaçada. Vou me certificar de que entendam que devem ficar longe dela.
         - Um temperamento forte? – Um brilho de humor atravessou os olhos azuis e inesperadamente ela sorriu. Um sorriso genuíno como Carlos não via há anos. E por Deus, para vê-la sorrir assim de novo ele faria qualquer coisa.
         - Acredita mesmo que isso vai dar certo? - Ela perguntou, esperança brilhando em seus olhos pela primeira vez.
         - Sim. Ficaremos bem – ele jurou.
         E quando a beijou apaixonadamente, com o desejo que nunca pôde evitar sentir por ela, mesmo em seus piores dias, ele percebeu que faria qualquer coisa pra ver sua esposa feliz novamente. Qualquer coisa. Mesmo sacrificar sua própria filha.